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Minha jornada de atriz no Brasil para Nutricionista Holística nos EUA

Domingo à noite. Maguiagem? Pronta. Cabelo? Pronto. Figurino? Pronto. Só falta microfonar e colocar o ponto eletrônico no ouvido. A plateia já está no estúdio, os câmeras nos lugares, tudo preparado. Meus colegas de elenco já subindo para o estúdio também. Faço o teste do ponto eletrônico no meu ouvido e “sim diretor, estou te ouvindo”.

O Fantástico já anunciou o nosso programa. Vamos entrar ao vivo em 3,2,1...

E ali, naquele palco, dentro do estúdio enorme do Projac, em frente à plateia e milhares de pessoas que assistiam ao programa “Tomara Que Caia” ao vivo, na maior televisão do país, a Rede Globo, eu tinha que estar com o texto decorado, os ouvidos atentos para ouvir alguma orientação do diretor no meu ponto eletrônico e ainda esperar o momento surpresa, com um tema que não sabia qual seria, para improvisar uma cena dentro da cena que já existia! Ufa! Eu precisava estar ali 100%. Mas eu só estava 10%. Os outros 90% estavam tentando sobreviver àquele momento. Enquanto a plateia ria eu sentia uma enxaqueca absurda, dores por todo meu corpo e um esforço físico que parecia que estava no último km de uma maratona. E no intervalo do programa eu cheguei a pensar “O que estou fazendo aqui? Mas como Daniele? Você sempre sonhou com isso! Está contratada de duas TVs, a maior TV aberta do país, e uma das mais prestigiadas TVs à cabo atualmente. Você está reclamando do quê? Para agora Daniele! Você está aqui cercada de profissionais maravilhosos, uma estrutura gigante, por que você está pensando assim”? E eu cheguei à conclusão de que tinha alguma coisa muito errada acontecendo. Era meia noite, meus colegas voltaram para suas casas e eu fui para o hospital. A quarta vez naquele ano.

 

Eu achava que era tudo por causa da minha hérnia de disco na cervical devido a um acidente de carro, mas depois as dores foram se espalhando. Foram para a cabeça, maxilar, olhos, pernas, lombar - onde eu nunca tinha tido dor. Tudo isso tendo que trabalhar, ser mãe, filha, esposa... Então comecei o meu tour pelos médicos. Fiz um monte de exames e não deu nada, tomei um monte de remédio, injeção de cortisona nas costas e a dor passava temporariamente e voltava mais forte ainda. Depois fiz o pacote da depressão, e lá fui eu para o psicólogo e o psiquiatra. Recebi meu kit tarja preta. Relaxei? Até demais, então veio um cansaço que não passava por nada, uma exaustão, uma falta de ar, parecia que estava com todos os sintomas de uma gripe forte, mas não estava gripada. "Muito estranho", comentei com uma prima. E ela prontamente me deu o diagnóstico: "mau olhado, isso aí é espiritual". Fiz o meu tour pelo pai de santo, mãe de santo, padre, pastor, medium, cartomante, rezadeira, acho que só não fui a um exorcista. E nada, mas nada mesmo deu certo. A única coisa que todos falaram é que eu não tinha nada, que era tudo da minha cabeça. Ou seja, tudo me levava a acreditar que a culpa era minha. 

 

O trabalho continuava me chamando e a cada convite, o que era pra ser motivo de alegria, me fazia tremer da cabeça aos pés. Então olhei para o meu marido e falei “Há oito anos você me chama pra morar nos EUA, acho que chegou a hora”.

 

Senti que precisava sair da loucura da vida de atriz, queria mudar de vida, fazer outra coisa. Trabalhei como atriz desde os 13 anos de idade. Aos 38 eu queria me aposentar!

 

Com a mudança de país, o que deveria me tirar do estresse na verdade piorou. Longe da família, dos amigos, ajudando minha filha a se adaptar a essa nova vida, nova língua e uma cultura diferente, em vez de relaxar eu fiquei ainda mais cansada, mais estressada e mais triste. E lá fui eu para o novo tour pelos médicos, só que agora em inglês. Até que um buco maxilo mandou eu preencher um questionário e me disse que ia me indicar para uma neurologista pois ele acreditava que eu tinha fibromialgia. E a neurologista finalmente me deu a resposta. 100% fibromialgia.

 

Se você recebe o diagnóstico de que tem fibromialgia como você deve se sentir? Feliz?! Parece loucura, mas quem sofre desse mal passa por tantos médicos, tantas avaliações sem conclusão nenhuma, que receber um diagnóstico que a gente tem alguma coisa é melhor do que continuar sem resposta nenhuma. Eu senti um alívio, pelo menos não era mais tudo da minha cabeça. 

Pronto. Passado o alívio e a alegria da descoberta a ficha caiu e daí me dei conta que eu tinha uma doença que precisava ser tratada. 

 

Embora seja também uma grande fã da medicina ocidental, meu corpo rejeitou os tratamentos tradicionais. Daí lembrei o que eu fazia no Brasil que aliviava minhas dores. RPG, osteopatia para a cervical e Pranaterapia, que é a medicina do corpo energético. Isso realmente era bom. Aliviava o stress e consequentemente as dores. Pensei: É por aí!  Então vou procurar maneiras alternativas de tratamento. Até que uma grande amiga aqui em Los Angeles me fez consultar uma nutricionista holística. Eu não tinha ideia do poder dos alimentos. 

 

Depois de alguns meses com a nova dieta, aconteceu algo incrível: Eu acordei SEM DOR! E daí eu perguntei para o meu marido, “É assim que vocês vivem? Isso é maravilhoso! Como alguém que acorda sem dor pode reclamar de alguma coisa da vida”? Eu não lembrava como era não sentir dor! Eu literalmente comecei a beijar meus braços, me abracei e me senti muito agradecida. Eu sabia naquele momento que eu tinha mudado. Só não imaginava que a mudança seria tão grande e a minha jornada de descobertas tão incrível. 

 

Adotei um novo estilo de vida e um mundo novo se abriu para mim. Percebi que todos os meus corpos (físico, mental, emocional, energético e espiritual) precisavam estar alinhados para eu me sentir viva novamente. Passei a me amar de verdade, descobri que o nosso intestino é mesmo o nosso segundo cérebro e que a nossa saúde vem da natureza. Quanto mais estudava, mais me apaixonava. Estudei tanto para cuidar da minha própria saúde que me tornei uma nutricionista holística certificada.  E esse é só o primeiro passo. Os estudos da nutrição e das terapias integrativas não param, porque ajudar outras pessoas a terem uma qualidade de vida melhor através da alimentação e da minha experiência, tornou-se minha missão.

 

Beijos,

Dani Valente 

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